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descoberta na estante velha
Lar dos Velhinhos
Eu deveria escrever mais sobre ir ao asilo. No Lar dos velhinhos. Veridiano morreu e eu só fiquei sabendo duas semanas depois. Ele morreu quase na semana que o entrevistamos, deve ter sido uma das últimas conversas… E ele só falou de morte. Incrível como a morte é, para eles, uma sombra, um vulto, sabem que ela está lá. Uma entidade coletiva, que chega e leva companheiros, que vem com o frio, que pesa nas costas e faz doer os pulmões, que te bota de cama, que te rouba a fome, que ignora a amizade, tudo isso é a morte. Lá ela chega aos poucos. Lá, sem descanso, porque não há sonho, eles esperam anos para vê-la chegar cedo demais.
Um Asilo não é um bom lugar. É um lugar que o mínimo pode ser tudo. Uma conversa de 10 minutos pode ser grande momento do dia, e talvez por falta de opção. O mínimo vento traz a pneumonia. O mínimo deslize quebra a perna. Asilo não é lugar de vida. Num asilo, a vida ganha nome de experiência e só existe no passado. O presente alí é a morte futura. Não há futuro.
Tanta gente que viveu tanto.. como eu nunca vou viver. E agora com a chave na mão… Não existe porta.

